Sobre a importância de fortalecer a articulação entre os cursos

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A Greve de Estudantes e Funcionários na USP avança e, com ela, vem inevitavelmente a resposta repressiva por parte da burocracia universitária e seus instrumentos “administrativos”. Neste momento, é natural que cursos com histórico mais recente de greves e piquetes tenham boa parte de seus estudantes, que estão empenhados na organização da greve, amedrontados pelas ameaças constantes de docentes quanto às reprovações.

Neste momento, faz-se necessário que os cursos mobilizados expandam suas atividades para além de seu local e de sua categoria, criando unidade nas atividades e na luta junto a outros cursos próximos e que possam se apoiar mutuamente, e também com os trabalhadores mobilizados, no mesmo intuito. Desta forma, ganha-se também uma consciência que a burocracia universitária já tem muito antes de nossa greve: as pautas específicas de cada curso estão em relação direta com o que acontece na universidade como um todo, portanto, a união entre estudantes e trabalhadores de diversos locais se faz necessária tanto para que conquistemos tais pautas, quanto para que nos defendamos da retaliação sofrida no dia-a-dia.

Exemplo deste caminho é o seguido pelos estudantes das unidades da Biologia, FAU, Física, IGC e IME, unidos num eixo de modo a realizar atividades e ações diretas conjuntas, conhecido agora como Eixo do Matão. É importante que cursos ora isolados busquem apoio em outros próximos e criem, assim, novos eixos conforme avaliarem ser estratégico para o avanço da mobilização de todos. O quê o Eixo do Matão tem se proposto a fazer nessa greve traz ao movimento estudantil acúmulos muito importantes sobre articulações conjuntas e o poder da mobilização interunidades. No momento em que a burocracia universitária tende a pressionar cada vez mais esses estudantes, discute-se uma série de propostas a fim de resistir e segurar a greve nesses cursos. Constroem-se ações em unidade e isso é cada vez mais importante no momento em que as férias se aproximam e ameaçam fragilizar o movimento

Na contramão, a organização da assembleia da FFLCH, agregando seus diversos cursos, infelizmente ainda encontra algumas dificuldades em ser chamada. Por mais que o contexto de cursos como os da FFLCH não sejam os mesmos que os do Eixo do Matão, lá a articulação também se faz altamente necessária para que esses cursos não se isolem e evitem gerar movimentos paralelos descolados de uma ação efetiva, forte e conjunta. De modo geral, as articulações entre cursos são de extrema relevância organizacional por fortalecerem as mobilizações e romperem com possíveis sectarismos. Quando os cursos ou setores quaisquer se isolam, o movimento como um todo fica mais frágil. Por isso, é fundamental consolidar e fortalecer as assembleias gerais e os comandos de greve.

É preciso, no entanto, apontar que esta força será bastante limitada se não nos unirmos à outra categoria que faz a universidade funcionar diariamente e se encontra altamente mobilizada no momento – as trabalhadoras e os trabalhadores da USP. É preciso que estudantes e trabalhadores estejam não só em greve ao mesmo tempo, mas que tenham estratégias e calendários unificados, que potencializem a força conjunta. Principalmente nesse momento em que diretores das unidades, em aliança com a reitoria pressionam os trabalhadores paralisados com o corte de ponto e respaldam docentes com posturas de assédio sobre estudantes. Por isso, defendemos que haja assembleias unificadas de estudantes e funcionários, tanto nas unidades como na USP de forma geral, que, ainda respeitando a autonomia de entrar e sair de greve de cada categoria, dê os passos estratégicos para a vitória em nossas pautas.

Para que a greve seja vitoriosa, frente a cada acirramento e pressão da burocracia, a saída é mantermos a articulação constante entre todos, visando cada vez mais unidade na ação.

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[USP em GREVE] Contra os ataques dos de cima, a aliança com os trabalhadores!

[USP em GREVE]

Contra os ataques dos de cima, a aliança com os trabalhadores!
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Vemos agora na USP uma forte greve que se expandiu, que vem mobilizando estudantes de todos os campi contra as medidas que a reitoria tenta impor aos que fazem a universidade funcionar. Essas medidas que visam precarizar ainda mais as condições de vida, trabalho e estudo na USP estão sendo questionadas por estudantes e trabalhadores.

Entretanto, a greve dos estudantes, a sua força em movimento, tem se dado apartada de um processo que nos uniria com nossos maiores aliados, trabalhadores da USP, e que ampliaria nosso poder de fogo contra o reitor, que insiste em fingir que nossa greve não existe.

Nesse momento, em que a reitoria e seus burocratas estão alinhados para cortar o salário dos grevistas pelos dias parados, é urgente que os estudantes se coloquem veementemente em defesa dos trabalhadores. É evidente a tentativa de boicote ao movimento que as diretorias têm tentado fazer por esse meio que é um dos mais violentos, arrancando de famílias de trabalhadores, muitas vezes, sua única fonte de renda.

Demonstrar nosso apoio e dispor nossas forças na presença nos piquetes é fundamental! Agora é a hora de ampliarmos nossa pressão, externalizar nossa mobilização em ações gerais que unifiquem na prática a luta dos estudantes e dos trabalhadores, como no trancamento dos 3 portões da USP, os atos conjuntos e no fortalecimento dos piquetes. A repressão e o assédio ao movimento só tendem a crescer, mas não podemos vacilar, só a nossa unidade e firmeza na luta podem nos defender dessas ameaças.

Com esse corte de ponto a própria greve e a validade da luta é questionada, a reitoria pressiona pela volta da normalidade do cotidiano de trabalho, o fim da greve. Nós estudantes vemos com maior clareza isso quando nos cobram trabalhos e provas que nos tiram das atividades de mobilização, com propostas de “meia aula, meia greve” que só esvaziam nossos espaços. Para ambos os casos, a união se faz necessária, e a intransigência da luta se justifica pela intransigência dos ataques.

A greve é nossa ferramenta, defendê-la das ameaças, das pressões e do ceticismo dos nossos próprios colegas é nos defender pelas nossas vias!”

Acesso o pdf do panfleto: panfleto, aliança com os trabalhadores 13.06

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Manifesto da Frente Combativa – UFABC

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ATAQUES AOS ESTUDANTES E AOS TRABALHADORES E SUCATEAMENTO DA UFABC

Estudantes são atacados com cortes de bolsas e auxílios e pela falta de moradia estudantil. Os trabalhadores são atacados com perda salarial, retirada de direitos trabalhistas e sobrecarga de trabalho. A precarização da UFABC é um ataque a nós, estudantes e trabalhadores, pois piora as nossas condições de estudo e trabalho. Por isso, a Frente Combativa – UFABC faz este chamado para unidos nos defender dos ataques e para que avancemos contra os governos e a reitoria impondo as nossas reivindicações.

Desde o fim de 2014, o governo federal encabeçado pelo PT com Dilma na presidência intensificou os cortes no orçamento da Educação. Os cortes até agora somam cerca de R$ 18 bilhões. A partir de então, o processo de precarização das condições de trabalho e estudo e o sucateamento da UFABC se agravou drasticamente, dado que a verba para manter e ampliar a sua infraestrutura e os seus serviços foram reduzidas.

Uma das consequências dos cortes de verbas, foi a redução da quantidade de bolsas e auxílios para estudantes da graduação e da pós-graduação. A Reitoria (atualmente sob chefia do reitor Klaus Capelle), aliada dos governos, adota e se submete as políticas de cortes aplicadas pelos seus aliados. Desde 2011 o número de estudantes da UFABC mais que dobrou, passou de cerca de 5.500 para mais de 14.000, sendo que 50% das vagas são para candidatos oriundos de escola pública. Consequentemente, a quantidade de bolsas e auxílios de permanência, moradia, alimentação, transporte, creche, monitoria acadêmica deveriam ter aumentado para atender a demanda, visto que a quantidade de estudantes que precisam delas mais que dobrou.

No entanto, esse aumento não ocorreu, pelo contrário, a proporção de estudantes da graduação que tinham alguma bolsa ou auxílio caiu de 31,03% para 17,79% (em relação ao número de matriculados) entre 2011 e 2015. Além disso, o principal critério para solicitar as bolsas e auxílios para estudantes de baixa renda mudou, antes podiam solicitá-los os estudantes que tinham renda per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 1.182,00 quando o valor do salário mínimo era R$ 788), agora só pode solicitar quem tem renda de até R$ 528,00 (60% do valor do salário mínimo atual de R$ 880,00). Tal mudança restringe ainda mais o acesso a esses direitos e faz com que menos estudantes possam consegui-los.

A UFABC, por ser a universidade modelo do ReUni, ficou durante anos sem ser atingida pela precarização, mas esse tempo já passou, isso se materializa de diversas formas, pela falta de sabonete nos banheiros, pelo ajuste nas torneiras dos banheiros para que caia pouca água, por parte dos elevadores desligados, pela supressão de auxílios como o auxílio evento, mas principalmente pelos cortes na assistência estudantil.

Há anos os valores das bolsas e auxílios não são reajustados e com os cortes no PIBID colocou-se em iminência a extinção do programa. Em 2016 o orçamento da ProAP é exclusivamente a verba do PNAES que é insuficiente para suprir a demanda e é muito possível que a verba acabe antes do final de 2016. Para os estudantes cotistas e bolsistas está cada vez mais difícil permanecer e se formar na UFABC e os casos de abandono dos estudos certamente serão cada vez mais frequentes. Por isso, chamamos os estudantes cotistas e bolsistas para lutar contra os cortes de bolsas e auxílios e também por moradia estudantil.

Devido a diminuição da verba a reitoria não está contratando mais trabalhadores terceirizados. Em paralelo, a quantidade de alunos aumenta a cada ano e a universidade está se expandindo com novos prédios, isso consequentemente demanda mais trabalho dos trabalhadores terceirizados que ficam sobrecarregados. E não só não está contratando, também está demitindo e, como já aconteceu, pagando os salários com atraso. Essa situação demonstra que o governo e a reitoria ameaçam serviços fundamentais para o funcionamento da UFABC como segurança, limpeza, transporte e alimentação.

Os trabalhadores técnico-administrativos são atacados pelo governo e pela reitoria com perdas salariais que se somam a cada ano, negligencia, ameaça e retirada de direitos trabalhistas. É por isso que em 2015 houve uma greve que durou 132 dias. Há anos lutam por redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução de salário com o objetivo de melhorar suas condições de trabalho e o atendimento à comunidade acadêmica.

Recentemente a gerência de Dilma fez mais uma proposta para cortar gastos públicos: o Projeto de Lei Complementar 257 (PLP 257). Este projeto visa suspender o aumento do salário mínimo, promover demissões voluntárias de servidores, realizar congelamento salarial por dois anos, dentre outras medidas. Se o PLP 257 for colocado em prática prejudicará os técnico-administrativos, os professores e também os trabalhadores terceirizados e estudantes.

Os cortes também estão prejudicando os trabalhadores da universidade, dado que a redução da verba e as decisões da reitoria estão precarizando as condições de trabalho na UFABC. Por isso, chamamos os trabalhadores terceirizados, técnico-administrativos e professores a construírem a Frente para lutarem por suas reivindicações com o apoio dos estudantes.

A precarização por conta da falta de verba está dificultando o pleno funcionamento da universidade, isso pode ser constatado pelo número inferior de docentes para atender a demanda de uma quantidade de estudantes que a cada ano é maior. Certamente o quadro de docentes não aumentou proporcionalmente, isso se materializa nos diversos “chutes” nas solicitações de matrícula nas disciplinas. O número de ônibus fretados também já é insuficiente para suprir a demanda. Outro problema é o Restaurante Universitário (RU) com um dos preços de refeição mais caros do Brasil para esse tipo de restaurante. A gestão terceirizada do RU impõe esse preço para obter maiores lucros. O espaço dos refeitórios estão ficando pequenos para a quantidade de estudantes e trabalhadores que fazem refeições diariamente.

Tudo isso influencia no agravamento de outros problemas dentro da universidade como o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Com a nova gerência de turno, encabeçada por Michel Temer (PMDB), continuará a intensificação dos cortes aos programas sociais para combater esses problemas. Não podemos contar com a reitoria para combatê-los, pois ela não tomará medidas efetivas contra eles, como já demonstrou várias vezes. Afinal, essa instituição burocrática prioriza outros interesses. Uma política de segurança restritiva, que não é discutida coletivamente, só facilita a ocorrência de casos de estupros, como já aconteceu nas redondezas dos campi. Sendo assim, temos que nos organizar e nos mobilizar para impedir o avanço desse processo e para combater o machismo, o racismo e a LGBTfobia discutindo e agindo coletivamente.

É urgente a nossa organização e mobilização pela razão de que essa precarização irá continuar e será agravada, uma vez que é um problema que está relacionado com a crise que se intensifica.

SOBRE A CRISE NO BRASIL

Há uma crise econômica internacional do sistema capitalista, essa crise desvaloriza e reduz as exportações brasileiras de produtos primários (“commodities”), como o café e o petróleo, por exemplo. Essas exportações são o principal fator de crescimento da economia brasileira. Se elas reduzem e são desvalorizadas, então inevitavelmente a economia do país decresce. Para tentar atenuar esse decrescimento, o governo federal decidiu realizar a política de ajuste fiscal com o objetivo de reduzir gastos.

O ajuste fiscal iniciado na gerência de Dilma e que continua na gerência de Temer, é um meio para economizar dinheiro para pagar os juros e amortizações da dívida que o país tem com os bancos, a “dívida pública”, que aliás a auditoria foi vetada por Dilma. Durante o ano de 2015 foram gastos R$ 962 bilhões (42% dos gastos federais) com essa dívida ou com o “bolsa banqueiro”. Os ataques aos estudantes e aos trabalhadores da UFABC estão relacionados com a decisão do governo federal de tirar dinheiro da educação pública para dar aos bancos.

Essa política é um meio para, em um momento de crise econômica, manter o lucro dos banqueiros através de gastos com a dívida pública e dos empresários da indústria e do agronegócio através da redução do salário e degradação e retirada de direitos trabalhistas. Então, é uma decisão de favorecer a classe capitalista ou a burguesia (banqueiros, empresários da indústria, do agronegócio e do setor de comércio e serviços) e fazer a classe trabalhadora pagar pela crise.

A partir do agravamento da crise econômica no Brasil e do início do ajuste fiscal, a gerência petista começou a perder apoio popular. Além disso, setores da burguesia também deixaram de apoiar esse governo por causa da situação econômica atual. Essa perda de apoio gerou uma crise política que possibilitou a instauração de um processo de impeachment contra Dilma proposto por partidos políticos que fazem oposição ao PT, como o PSDB e agora o PMDB. Além de possibilitar essa instauração, também favoreceu o surgimento de protestos massivos liderados por grupos de conservadores e até de fascistas a favor da saída de Dilma, isto é, favoreceu a mobilização da direita.

Devido o processo de impeachment, setores do movimento estudantil da UFABC, técnico-administrativos e professores petistas, se mobilizam para defender Dilma contra o “golpe”. Os petistas da universidade defendem um governo que é responsável pela situação de precarização da UFABC. Querem a volta de um governo que atacou os trabalhadores e a população pobre para favorecer o lucro dos capitalistas, que aprovou a lei antiterrorismo. Essa lei poderá ser usada para enquadrar os militantes combativos dos movimentos estudantil e sindical como terroristas. Tal lei foi aprovada para reprimir e criminalizar os movimentos sociais a fim de facilitar a intensificação do ajuste fiscal.

Aproveitando-se da crise política, Michel Temer do PMDB conseguiu assumir a presidência. O objetivo dele é colocar em prática o programa “Uma ponte para o futuro”. Esse programa é um plano para continuar intensificando o ajuste fiscal através dos cortes de verbas para os serviços públicos, da redução salarial, degradação e retirada de direitos trabalhistas, das privatizações, dentre outras medidas de austeridade. Temer utilizará a repressão jurídica e militar intensificada pela lei antiterrorismo para impor esse programa, dado que ele sabe que haverá luta.

Não defendemos a volta do governo Dilma ou de Lula nas eleições de 2018 e lutamos contra o governo Temer e qualquer outra gerência de turno que ataque a educação pública. Combatemos o petismo e a direita e somos parte da resistência contra o ajuste fiscal e a repressão aos movimentos sociais.

PARTICIPE, LUTE!

É urgente agir para impedir o agravamento da precarização das condições de estudo e trabalho na UFABC e do sucateamento da infraestrutura da universidade. A Frente Combativa – UFABC faz este chamado à ação com o objetivo de unir estudantes e trabalhadores dispostos a lutar juntos por suas reivindicações. Nos organizamos democraticamente por meio de reuniões, debates e assembleias e agimos utilizando métodos de ação direta como atos, piquetes, ocupações, paralisações e greves de estudantes e trabalhadores. Entendemos que apenas dessa forma poderemos barrar os ataques dos governos e da reitoria e impor as nossas reivindicações. Convocamos os estudantes e os trabalhadores da UFABC para que se juntem a nós.

Lutar por permanência estudantil e pelas reivindicações dos trabalhadores!
Combater o machismo, o racismo e a LGBTfobia!
Lutar contra o ajuste fiscal e a repressão!
Combater o petismo e a direita!
Confiar apenas nas nossas próprias forças!

Contra agressores, patrões e reitores

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Casos de estupros vem sendo frequentes na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. São diversos casos dentro do campus, também junto com o aumento dos casos de estupro na cidade de Seropédica/RJ, cidade onde fica o principal campus da Rural.

A opressão de gênero é estrutural. Nascemos e logo somos socializados numa cultura patriarcal aonde dissemina misoginia e cultiva a violência contra a mulher. Apesar da existência de programas governamentais e não-governamentais em combate a violência contra a mulher, delegacias especializadas, formas de denúncias anônimas e leis que tentam acabar com o feminicídio e outras violências masculinas, percebemos que mulheres ainda continuam apanhando, mulheres ainda continuam sendo humilhadas por seus maridos, namorados, pais ou parceiros sexuais, mulheres continuam sendo estupradas, violadas, ironizadas e ridicularizadas pelos próprios órgãos que deveriam acolhê-las. Essa realidade atinge todos os âmbitos da sociedade, inclusive dentro universidade. No espaço universitário a violência não é diferente e reflete-se através de abusos físicos e psicológicos, em atléticas, calouradas, festas, salas de aula, corredores e banheiros

Nas últimas semanas, as mulheres cansadas dessas agressões dentro da instituição que deveria acolhê-las e exaustas da falta de posições jurídicas e diretas da reitoria, têm se organizado para cobrar dos gerentes da universidade medidas eficazes de apoio às vitimas e punição dos estupradores/agressores. A reitoria, mesmo sendo administrada por uma mulher, segue negando-se ao diálogo e só se pronunciando no ato dentro do prédio da reitoria, protagonizado por mulheres, quando o vice-reitor disse que nada podia fazer para garantir a segurança das mulheres.

A violência que sofremos não legitima forças repressivas dentro da universidade que nunca atuaram e nem atuarão para a nossa segurança e sim para conter levantes e mobilizações de estudantes e trabalhadores, para assassinar pretos, e agir violentamente junto à fazendeiros em conflitos da terra. E, inclusive, tratar com indiferença e deboche vítimas de violência.

Não vemos nas polícias militar e civil, guardas municipais, exército, força nacional, ou seja lá qual aparelho repressivo, como protetores, potenciais para proteger mulheres em risco. Não podemos confiar na Guarda civil que no Conselho deliberativo do HUAP (Hospital Universitário Antônio Pedro – UFF) agrediu uma mulher com cassetetes, enquanto outros agrediam com spray de pimenta no dia internacional da mulher (!!!), não podemos confiar na mesma guarda que, aliada com a polícia militar, em outro ato de servidores e estudantes da UFF, empurrou, chutou, puxou pelo cabelo, jogou spray de pimenta na boca e espancou várias mulheres; não podemos confiar na polícia militar que em 2012 e 2013 agrediu psicológica e fisicamente mulheres em reintegrações de posse da Moradia e Reitoria da USP, respectivamente, e que em 2015 agrediu uma mulher em um ato, também na USP, contra a terceirização.

A saída para essa onda de agressores, além da exigência de garantias básicas e diretas de segurança (iluminação nos campi, apuração de denúncias de casos de misoginia e eficácia na resolução desses casos punindo o agressor e apoiando as vítimas) somos nós mesmas, construindo espaços auto-organizados de mulheres, como plenárias, atos e incentivando a autodefesa, pois não podemos contar com a reitoria e governos, então sejamos nós por nós mesmas!!!

Greve na SanFran USP

Assinamos e compartilhamos a nota do comando de greve:

A GREVE CONTINUA, TUCCI A CULPA É SUA!

As e os estudantes em greve da Faculdade de Direito da USP foram surpreendidos na manhã de hoje, dia 11 de abril, por um comunicado assinado pelo Diretor da Faculdade, José Rogério Cruz e Tucci, que nega e trata como absurda a simples demanda, do corpo discente, de que seja realizada uma reunião extraordinária da Congregação para deliberar acerca das reivindicações já apresentadas pelos e pelas estudantes, por meio da Representação Discente, na última Congregação.

A demanda dos estudantes é pela revogação, em sua atual redação, das diretrizes 11 e 14 do Projeto Político Pedagógico, em especial pela implicação que traz esta última, de proibição dos estágios até o 6º semestre da graduação, e também de inclusão de duas novas diretrizes: uma que versa sobre a transparência na gestão da Universidade, outra que diz respeito à adoção de cotas sociais e raciais – pauta à qual se dizem favoráveis ambas a Congregação e a Comissão de Graduação da FDUSP.

Causa espanto que o Diretor faça parecer que há falta de “seriedade de propósito e boa vontade da representação discente”, e, mais ainda, que busque justificar a não convocação de uma reunião extraordinária da Congregação com base na suposta ausência de apresentação de propostas pela RD, uma inverdade.

Entretanto, o que mais causa espanto é que o Diretor se dirija, nesse comunicado, ao conjunto da comunidade acadêmica da FDUSP, com o nítido objetivo de ameaçar com sindicâncias os e as estudantes, aludindo a supostas práticas violentas, referindo-se a um suposto episódio em que uma lista de presença foi molhada.

Embora o Diretor faça alusão, ainda, à sua suposta intenção de dialogar, seu próprio comunicado o desmente: não há qualquer disposição de diálogo na ameaça arbitrária de sindicâncias sem absolutamente nenhuma motivação ou fundamento senão a perseguição política enquanto forma de intimidar estudantes e impedi-los de exercer atividade política absolutamente legítima, conforme nos é de direito. A única atitude que pode ser entendida como alguma forma de violência é a ameaça do diretor de tolher a mobilização política legítima das e dos estudantes.

Mais do que isso, temos consciência da tentativa, por parte da Diretoria, de dividir os estudantes. Nosso diretor tenta opor a mobilização, que cremos ser pela melhoria do nosso ensino, aos alunos que estariam “verdadeiramente interessados” no ensino. Mas não é assim. Os pontos 11 e 14, assim como a derrota da nossa mobilização, prejudicarão todos os estudantes, presentes, futuros e antigos, pois está em jogo um perfil mais elitizado e precarizado da São Francisco.

Assim, é justa e natural a paralisação das atividades dos e das estudantes após a deliberação em Assembleia pela greve estudantil, bem como é obrigação da Diretoria garantir que não soframos represálias que limitem nossa liberdade de manifestação. Do contrário, está-se diante de verdadeira perseguição política. Acrescentamos, ainda, que ao trancar as salas da Faculdade, o Diretor busca esvaziá-la e contrapor estudantes, professores e funcionários.

A despeito da absoluta desproporcionalidade da ameaça de sindicância e da evidente indisposição ao diálogo exposta na nota da Diretoria, a disposição do corpo discente é, como mostra nossa reivindicação, a de dialogar: afinal, nossa demanda mais imediata é a de convocação de uma reunião da Congregação para que possamos discutir novamente os pontos apontados. Reiteramos, portanto, essa expectativa, que se resume a uma nova oportunidade de deliberação quanto às reivindicações já apresentadas, muito concretamente, pelo corpo discente.

Lutar não é crime! Abaixo as ameaças de sindicância!

Pela convocação imediata de uma Congregação que discuta as demandas estudantis! Revogação da diretriz que proíbe o estágio, já! Inclusão de cotas sociais e raciais no PPP, conforme a moção favorável à adoção de cotas da própria Congregação!

Ass.: Comando de Greve da Faculdade de Direito da USP

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Nota sobre a identidade visual da chapa Tomar de Assalto – DCE USP 2016

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Nós, da corrente estudantil Enfrentamento e principalmente as mulheres desta, gostaríamos de trazer a público um debate que surgiu por conta da identidade visual da chapa que estamos compondo e construindo para o DCE da USP em unidade com Território Livre e independentes.

A imagem apresentava um garoto, mascarado e armado, no canto esquerdo da imagem e a figura da presidente Dilma à direita. Algumas críticas surgiram no sentido de que seria um homem apontando uma arma para uma mulher.

De fato a imagem causa incômodo e podia ser mau compreendida, dando margens à interpretações de incitação à misoginia tanto que optamos por sua retirada. Sobre isso reconhecemos o erro enquanto corrente que está na construção da chapa. Mas gostaríamos de trazer alguns elementos para este debate, pois não é possível fazermos uma abstração total da realidade.

A imagem evidentemente representava o conflito de classes e não a simbologia da violência de gênero. Não é possível abstrair que Dilma tem, por estar na presidência, personificado os ataques generalizados que estão sendo desferidos contra trabalhadores e trabalhadoras. Ela é, portanto, inimiga de classe e enquanto classe deve ser combatida.

Isso ignora o fato dela ser mulher? Ignora o fato dela ser alvo de misoginia tanto na vida pessoal quanto por vezes tem sido feito politicamente ao utilizar, principalmente pela mídia, de estereótipos femininos para negativar sua imagem? Não, não ignora.

Dos ataques que são direcionados à Dilma enquanto mulher nós não fazemos coro e combatemos, pois dá vazão ao machismo que, se pode afetar Dilma em alguma escala, sabemos como afeta em outras proporções muito maiores as milhares de mulheres trabalhadoras.

Mas na imagem não é uma violência de gênero que estava representada. É ódio de classe. Nós, mulheres organizadas no Enfrentamento e atuantes no Movimento Estudantil formamos a linha de frente para dizer que Dilma não é nossa aliada. Formamos a linha de frente para dizer que a Reforma da Previdência proposta pelo governo do PT é uma reforma extremamente machista, que desconsidera a dupla jornada das mulheres e dá bases materiais para a continuidade da violência machista na sociedade. E queremos também fazer a linha de frente no combate aos ataques do governo Dilma à nossa classe – a classe trabalhadora -, assim como estaremos na linha de frente para enfrentar todos os governos que nos ataquem, erguendo pouco a pouco a força dos de abaixo contra os de acima em direção à construção de uma nova sociedade, uma sociedade sem exploradores e que consiga dar as condições materiais para a emancipação total das mulheres.

Fazemos também e a todo momento a linha de frente interna na nossa corrente para combater o machismo por parte dos militantes homens. Fazemos o possível e o impossível para não deixarmos passar ilesa nenhuma violência de gênero independente da forma ou grau que ela se expresse e temos confiança no comprometimento com que conduzimos a nossa militância enquanto mulheres em espaços mistos.

Não aceitaremos que críticas despolitizadas à uma imagem de chapa jogue no lixo toda a nossa construção enquanto mulheres e feministas. Nunca permitiremos que nossos militantes homens utilizem de violência de gênero independente contra quem for. Não permitiremos que estupros, por exemplo, sejam autorizados mesmo contra inimigos de classe. Uma coisa é ódio e violência de classe. Esta existe e partilhamos dela, pois não há conciliação possível. Outra coisa é violência de gênero e esta nós combatemos com toda nossa força!

Avante mulheres! Tomar de assalto o futuro!

VOTE E LUTE: TOMAR DE ASSALTO!

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Em atitude antisindical, Reitoria da USP ameaça sede do Sindicato!

O Sintusp, cuja sede está há 60 anos situada no campus Butantã, perto da ECA, recebeu hoje um documento assinado pelo coordenador de administração geral da USP pedindo a DESOCUPAÇÃO do sindicato dentro de 30 dias.

Sob a justificativa de “regularização dos espaços públicos” da universidade, a Reitoria avança contra um importante e combativo sindicato. Para além do ataque à sede do SINTUSP, tudo indica que os demais espaços estudantis e de Centros Acadêmicos também serão notificados.

Todos a postos para defender com todas as forças os espaços das nossas entidades de base!

MEXEU COM O SINTUSP, MEXEU COM TODO O MOVIMENTO ESTUDANTIL TAMBÉM!

Ombro a ombro em mais esta luta!

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A favor dos estudantes e dos trabalhadores, contra o petismo e a direita na UFABC

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O impeachment de Dilma se torna cada vez mais provável, dado que o PMDB decidiu não mais apoiar o governo do PT. Essa decisão fará com que os deputados do maior partido burguês do Brasil (PMDB) votem a favor do impeachment e incentivará que outros partidos políticos que representam setores da classe capitalista e apoiam o PT também rompam o acordo que tem com este partido e façam este mesmo voto. Esse é o principal motivo de por que dificilmente Dilma continuará na presidência.

Devido a situação de crise do governo do PT, setores do movimento estudantil da UFABC, estudantes independentes e professores que simpatizam com esse partido, isto é, os petistas e governistas da universidade, se mobilizam em nome da “democracia” (leia-se democracia burguesa) para defender esse governo contra o impeachment. Eles defendem um governo que aprovou recentemente a “lei antiterrorismo”, essa lei será usada para enquadrar os movimentos sociais, como o movimento estudantil e o sindical, como terroristas. Dessa forma, estão a favor de um governo que legitima o Estado de Exceção para intensificar a repressão jurídica e militar que será usada contra eles próprios. Protegem um governo que ataca e seguirá atacando os trabalhadores e a população pobre para tentar pagar os bancos (capitalistas financeiros) e favorecer outros setores da burguesia (capitalistas industriais e do agronegócio).

Aproveitando-se da crise política, Michel Temer, vice-presidente do Brasil e membro do PMDB, um partido da típica direita brasileira, agora já se prepara para assumir a presidência. Ele pretende implementar o programa do seu partido chamado “Uma ponte para o Futuro”, esse programa continuará intensificando o ajuste fiscal, iniciado pelo governo Dilma, através dos cortes no orçamento para os serviços públicos, do arrocho salarial e da degradação dos direitos trabalhistas, das privatizações, dentre outros meios. Um governo do PMDB também utilizará a repressão jurídica e militar, intensificada pela “lei antiterrorismo” aprovada por Dilma, para reprimir os movimentos sociais.

Sendo assim, seja na continuidade do governo Dilma ou no governo do PMDB, os estudantes que são filhas e filhos das famílias de trabalhadores e os trabalhadores da UFABC continuarão sendo atacados, dado que ambos os governos continuarão com a política de deteriorar as nossas condições de estudo e trabalho e tornar mais eficiente e viável a repressão para a nossa resistência aos ataques do governo federal e da reitoria.

Na UFABC, a chapa “Representa Mais”, liderada por petistas e governistas, venceu a eleição para gestão de DCE que aconteceu no mês passado (março), nesta mesma eleição a chapa “União Discente” representou a direita ridiculamente patriota que está se organizando na UFABC e nacionalmente. Esse acontecimento é um exemplo de como a situação política nacional está influenciando o movimento estudantil da UFABC.

Em decorrência da situação política nacional e local, o Enfrentamento atuará para criar e consolidar a médio prazo uma frente estudantil na UFABC para unir os estudantes que se posicionam contra o petismo e a direita a fim de realizar ações conjuntas em torno de objetivos comuns. A frente defenderá os interesses dos estudantes que são filhas e filhos das famílias de trabalhadores, apoiará as reivindicações dos trabalhadores da UFABC (terceirizados, técnico-administrativos e professores) e fará oposição aos petistas e a direita que atua na universidade.

Lutar pelas reivindicações dos estudantes das famílias de trabalhadores!

Apoiar as reivindicações dos trabalhadores da UFABC!

Combater o petismo e a direita!

Sobre as eleições para DCE da USP em abril 2016

eleicoes_dce_usp_abril-2016

Nos dias 12, 13 e 14 de abril de 2016 ocorrerá a eleição para a gestão do DCE até o final do ano. Nós do Enfrentamento – Corrente Estudantil Classista, participaremos em uma chapa, tendo com isso o objetivo de conseguir colocar em discussão temas e pautas que consideramos relevantes para o Movimento Estudantil atualmente.

Achamos importante, por exemplo, refletirmos profundamente sobre a função da entidade geral dos estudantes da USP, pois nos últimos anos temos visto um DCE apático, que mal tem conseguido responder às tarefas do momento. Em 2014, sentiu-se confortável em ter uma posição acessória ao Fórum das Seis (entidade que reúne as associações de docentes, sindicatos de trabalhadores e DCEs das estaduais paulistas), cabendo aos demais estudantes organizarem a luta sem nenhum respaldo da entidade estudantil. Em 2015, falhou em erguer uma mobilização que respondesse aos ataques dos governos e da reitoria e tampouco conseguiu se colocar ao lado da luta dos trabalhadores com qualidade, articulando de maneira bastante precária as paralisações nacionais na USP como um todo.

Diante desse quadro, é fácil acreditar que o problema reside na existência da entidade e que o DCE é um mal para o movimento na USP. Porém, na realidade o problema não é esse, mas sim o que as gestões têm feito com esse instrumento que, segundo acreditamos, pode e deve ser um instrumento de luta. O mesmo acontece nas entidades de curso, nas quais tivemos diversas gestões que foram um entrave para a luta, seja estando alinhadas ao petismo ou ao imobilismo do PSOL e PSTU.

Para o nós o DCE e todas as entidades de base do Movimento Estudantil devem ser ferramentas à serviço da nossa luta! Deve aglutinar e organizar o conjunto dos estudantes, colocando a política em seus cotidianos e articulando os diversos cursos, campi e localidades da USP. É necessário que o DCE seja não uma entidade de peso apenas no nome, mas na realidade também. Deve estar pronto para agir e intervir de maneira correta e concreta diante dos desafios atuais. Para isso, é preciso que seja capaz de levantar reivindicações que liguem a luta dos estudante USP à dos estudantes das outras universidades estaduais, das universidades federais e privadas e das escolas secundaristas.

Erguer a resistência dos estudantes trabalhadores na universidade é uma tarefa que impõe cada vez mais a necessidade de utilizarmos a unidade com a classe trabalhadora dentro e fora dessa universidade como estratégia para fazermos nossa luta avançar de fato e para que ela cada vez mais atinja a raiz do sistema de exploração que os trabalhadores, estudantes ou não, sofrem dentro e fora da USP. Para isso devemos empreender uma política que seja veementemente contra as opressões que impedem que os oprimidos, ressaltando aqui as estudantes mulheres e estudantes negros, possam integrar o movimento e serem sujeitos de sua luta. Dessa forma, é fundamental que o movimento estudantil e suas entidades pautem e levem à frente, sem perder de vista o horizonte revolucionário, as lutas contra o racismo e o patriarcado, defendendo assim, por exemplo, cotas raciais e sociais como forma de ingresso na universidade, a auto organização das mulheres e a atuação dos coletivos feministas.

Mas o DCE conseguirá isso somente se tomar as posições corretas no próximo período, ao contrário do que tem feito. Diante da crise econômica e política que atravessamos, a entidade estar preparada para responder com resistência os ataques que se amontoam sobre nós. E isso só é possível se desde já não sairmos nem em defesa do petismo, nem em aliança com os burgueses que já se sentam na cadeira da presidência.

O primeiro implorou voto dos trabalhadores e da juventude na última eleição enquanto colocava Joaquim Levy e Kátia Abreu – um representante da elite financeira e a outra dos latifundiários – nos ministérios. E conforme a crise de governabilidade se agigantou, correu para os trabalhadores e a juventude novamente, para salvar-se. Fez isso enquanto aprovava pelo governo corte no FIES, restrição de acesso ao seguro desemprego, PPE (o programa que só protege o patrão) e Lei anti-Terror (que é a lei anti-luta dos trabalhadores e sua juventude).

Já a oposição parlamentar não precisa de muitas apresentações. É velho inimigo da classe trabalhadora. Na câmara e no senado é encabeçada por figuras como: Eduardo Cunha, Aécio Neves, José Serra (tradicional inimigo dos estudantes), Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, só para citar alguns. Além de se somar na rua a setores fascistóides, extremamente reacionários. E hoje, caminham todos de mãos dadas, PMDB, PSDB, DEM e todas as micro legendas que se imaginar, para formar o governo que se acredita, atacará melhor os trabalhadores e sua juventude, ao redor de Michel Temer.

Hoje é preciso compor um bloco que responda de conjunto à esses ataques. Um bloco que seja contra os ataques dos governos e patrões a nível nacional. E outro que seja contra os ataques dos governos e das reitorias no âmbito do Movimento Estudantil. Assim, articularemos as lutas contra o ajuste fiscal, as demissões e os cortes nos salários, às lutas contra os cortes no FIES, a precarização da permanência estudantil e o patriarcado e à luta pela implementação de cotas. Buscando com isso, uma resposta independente dos trabalhadores e de sua juventude à conjuntura atual, pois não concordamos com as opções que nos façam de bengalas daqueles que nos atacam.

Por isso, a partir de reuniões organizativas chamadas pelo Território Livre em que debatemos o programa mínimo por eles proposto, que continha em linhas gerais as pautas: antigovernismo, luta contra a repressão (fora PM e Koban) e defesa da democracia direta, consideramos que a proposta caminha de maneira semelhante ao nosso programa. Os debates de chapa se seguiram e os pontos programáticos da defesa de cotas e da luta contra o patriarcado foram incluídos, de modo que conformamos coletivamente um programa mínimo de unidade – tão necessária na atual conjuntura.

Também foi um debate importante durante a conformação da chapa a tentativa de unidade com todos os setores anti-petistas, pois sabemos como a política do governismo – escancarada ou não – é danosa para o movimento. Desta forma fizemos um chamado coletivo para os militantes da corrente “Para Além dos Muros – PSTU e independentes” para debatermos a possibilidade de conformarmos uma chapa conjunta, pois, apesar das inúmeras divergências, compreendemos de forma positiva a decisão dos companheiros em romper com sua tradicional aliança com correntes do PSOL, que tem levado à frente uma política e um horizonte estratégico muito similar ao já traçado pelo falido Partido dos Trabalhadores (PT). Este chamado não obteve nenhuma resposta… Lamentamos que em um momento de conjuntura tão acirrada de ataques e com a tentativa de rearticulação das bases petistas na USP, os camaradas do PSTU optem por uma decisão de auto-construção em detrimento da unidade na luta.

Sabemos que o exercício de traçar linhas comuns mesmo tendo importantes divergências não é uma tarefa fácil, porém necessária principalmente frente ao acirramento da luta de classes em momentos de crise econômica como a que estamos enfrentando agora. Estamos, portanto, participando das eleições para DCE Livre da USP com a chapa “Tomar de Assalto”, pois compreendemos que é preciso conformar um forte bloco contra os ataques dos governos, reitorias e patrões lançando-se nas lutas locais e nacionais. Esta é a tarefa para o DCE atualmente: enfrentar o petismo e todos aqueles que nos atacam!

Construir um movimento estudantil forte, articulado desde às bases, através da democracia direta para erguer um programa de lutas defensivo e que paute as necessidades dos estudantes da classe trabalhadora!

TOMAR DE ASSALTO!

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Paralisar e tomar as ruas contra os ataques dos governos e reitores!

Não é novidade para ninguém que vivemos um período complicado, repleto de possibilidades e descaminhos. Querem nos fazer acreditar que há apenas dois posicionamentos possíveis: estar ao lado da democracia (em verdade, do governo) ou aliar-se à raivosa oposição patrioteira insuflada pelo Judiciário e pelos monopólios de mídia. As últimas manifestações parecem apontar nesse sentido, mas será essa toda a verdade? Teria restado aos estudantes classistas o infeliz destino de serem linha auxiliar de representantes do capital em disputa pelo aparelho de Estado? Na nossa avaliação, não. E será a partir de nossos locais de estudo e trabalho que imporemos nossos interesses e nossas defesas!

Dois mil e dezesseis começou como dois mil e crise acabou: muito mal para trabalhadores e estudantes. O progressivo desmonte da universidade continua e as condições de estudo e de trabalho vão-se pelo ralo. Os governos e suas reitorias já deram o recado: vão privatizar o que conseguirem privatizar, vão cortar o que conseguirem cortar e não hesitarão em criminalizar aqueles que se opuserem.

Aguentaremos todos estes ataques calados em defesa do “menos pior” ou voltaremos a ter a coragem de acreditar que é possível construir outra sociedade?

Dia 31 de março é dia de paralisação unificada na Universidade de São Paulo (USP) para que, lado a lado, trabalhadores e estudantes deem uma primeira demonstração de força e mobilização contra o desmonte da universidade, contra o arrocho salarial e por condições de estudo e trabalho! Paralisar as aulas e o trabalho rompendo com a rotina que nos aliena e pressionando a reitoria com a nossa força contra os ataques!

E no cenário nacional sexta-feira – 1º de abril – é dia de sair às ruas! Não podemos cair no erro de fazer coro aos atos dirigidos por setores da direita tradicional e também não podemos nos perder no caminho da luta engrossando o caldo de atos que camuflados de “defesa da democracia” são na verdade a defesa do governo petista que tanto tem nos atacado. O governo do PT não nos ataca apenas com os ajustes fiscais, que também serão implementados por qualquer outro governo, mas nos ataca também quando espalhado pelo interior dos movimentos sociais serve de represa para conter a ira dos trabalhadores e a possibilidade de revolta popular! Romper com o petismo e avançar nas lutas defensivas!

Seja dos governos ou dos reitores, NENHUM ATAQUE VAI PASSAR!

TODOS AO ATO DE 1º DE ABRIL:
RJ: 17h em frente à ALERJ
SP: 16h no vão do MASP